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O paradoxo político

A cada nova crise que afeta o mundo econômico, ressurgem as idéias simplórias e sonhos da esquerda mais radical, de que o capitalismo, o pensamento político pautado na filosofia antiestatizante, voltada para os mercados e, mais presentemente, as idéias neo-liberais, estariam fadadas ao naufrágio inapelável, sepultando-se de vez, quaisquer perspectivas de recuperação. Não foi diferente no limiar da atual crise que teve como epicentro, mercados financeiros de nações economicamente desenvolvidas e poderosas. Aqui e acolá, verberações ideológicas e manifestações utópicas, chegaram a celebrar réquiens à suposta derrocada, antes mesmo que os limites da crise fossem clara, qualitativa e quantitativamente delineados. No ambiente de incertezas que abalou a credibilidade dos agentes econômicos e do publico na dinâmica dos mercados, provocou a débâcle de meia dúzia de instituições financeiras seculares e, submeteu a situações vexatórias emblemáticos símbolos do segmento produtivo, poder-se-ia vis...

Nem crise, nem doença, nem...

Os cenários político e econômico do Brasil, que aparentavam relativa calmaria, de repente, tornaram-se envoltos em turbulências, mais precisamente em razão de posturas equivocadas e estranhas adotadas pelos nossos dirigentes. Num primeiro momento, deflagrou-se no ambiente internacional uma grave crise econômica, de dimensões ainda imprevisíveis. Nossos mandatários, optaram pela dissimulação equivocada, ao sugerir que a crise não afetaria nosso Pais. Deu no que estamos acompanhando nos últimos meses, com o declínio do ritmo de crescimento e conseqüências que afetaram ate então, segmentos da economia mais vulneráveis e espraia-se sob a forma de verdadeiro suplicio, para a União, Estados e Municípios, às voltas com perdas substanciais de receitas. Num episodio seguinte, a lamentável doença que afeta a possível candidata do Presidente à sua sucessão, também negada e dissimulada a principio, mas que já deu sinais de incomodo às pretensões para 2.010. A situação, antes equilibrada e aparente...

Lá vem o rapa

Estão dizendo que a medida provisória que estabelece a tributação pelo IR, das poupanças a partir de R$50.000,00, só vai atingir 1% das contas. Não exibiram dados concretos para se checar esta informação, nem qualquer um de nos, os tem, para discutir a questão. Posso afiançar a priori, que se trata de mais um “jogo de cena”, partindo de alguns pressupostos reais: Quantos milhares de brasileiros, mantem varias cadernetas que somadas, ultrapassam esse valor ? Se um casal tem duas cadernetas no valor de R$30.000,00 cada, ao fazer declaração conjunta do IR, não serão tributados conjuntamente, por ultrapassar o valor básico ? Se um titular distribuiu cadernetas de poupança, nos valores de R$15.000,00, para quatro filhos dependentes, também não será tributado conjuntamente na mesma declaração ? Entendo que os exemplos citados, muito comuns e que se multiplicam Pais afora, servem para desmistificar a balela governamental... Principalmente, porque em nenhum momento as autoridades governamenta...

Anomalia tributária

Contrariando o discurso oficial, a intenção de tributar cadernetas de poupança, nos moldes propostos, acabara por gerar anomalias que afetarão principalmente a pequenos e médios poupadores, eventualmente atingidos pela tributação. Francamente, poucas vezes me deparei com um instrumento normativo, onde a boa técnica passou ao largo, como nesse caso. Os fundos de investimento e aplicações similares, são objeto de tributação exclusiva na fonte, portanto, as rendas assim obtidas (declaradas em cédula especifica pelo valor liquido), não afetam nem se somam às demais rendas para efeito de determinação da base de calculo do imposto, na declaração anual. Por outro lado, pretende-se para efeito de tributação, somar os rendimentos da poupança, às demais rendas (salários, alugueis, lucro tributável da Atividade Rural, etc) que compõem a base de calculo e definem as alíquotas incidentes. Se um assalariado cuja base de calculo, se encontra próxima a uma faixa de tributação, acrescentar à sua renda ...

Futuro preocupante

Alguém poderia definir qual o pior dos escândalos que estouraram nas ultimas semanas? Certamente, fica difícil a essa altura, identificar dentre tantos episódios lamentáveis, ocorridos nos poderes da republica (castelos surgidos não se sabe como, passagens aéreas usadas à revelia de qualquer moralidade publica, empregadas pagas com dinheiro publico, ou quem sabe ate, o bate boca de baixo nível, entre magistrados supremos, no palco do templo de nosso Poder Judiciário). Sempre restarão duvidas quanto à verdadeira dimensão dos fatos. Suas conseqüências, em tese, guardarão os mesmos padrões dos exemplos anteriores: mensalão, dinheiro na cueca, golpes na previdência, negociatas de toda ordem, etc, etc. Resta-nos tão somente, a indignação, quando contemplamos uma seqüência interminável de ocorrências, que enlameiam os entes de governo do Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário, poderes constituídos, sob o manto de princípios elevados, doutrinas recheadas de moralidade e destinações relev...

Apertem os cintos: o piloto “assumiu” !

“Quantos anos pode uma montanha existir/ Antes do mar lhe cobrir”... Lembrando Zé Ramalho, o “Bob Dylan da Paraíba”, mesmo que a popularidade de alguém, seja uma montanha, um dia uma “marolinha” pode virar uma grande onda e... nunca se sabe o que pode acontecer... “O vento vai responder”. Quem acompanhou, o “show pirotécnico de marketing político” em Brasília (dizem as mas línguas, que foi propaganda política antecipada), alguns dias atrás, deve ter ficado intrigado, com a mensagem de gastança e promessas mirabolantes aos prefeitos, que por la circularam, para “beijar a pedra”. Em meio à grave crise que já sinalizava uma necessária parcimônia, os santinhos com a foto da “dupla anfitriã”, lembrança da badalação, agora devem estar sendo considerados aziagos, depois da queda violenta nos repasses do FPM aos Municipios. Ainda estávamos vivendo a fantasia da “marolinha” e, o governo cortejava segmentos da industria nacional, promovendo reduções convenientes no IPI. Cortesia com o chapéu alh...

O discurso do atraso

Já de muito tempo, tornou-se indiscutível que, a economia das Nações é extremamente dinâmica, principalmente a partir da constatação dos vários fatores sociais, políticos, tecnológicos, climaticos e, obviamente econômicos, que interferem no processo. A economia, não pode ser mais vista, como um departamento estanque, que opera à revelia dos fatos à sua volta: ela influencia e é influenciada, podendo sofrer mutações imprevisíveis, que dificilmente podem ser previstas no contexto restrito dos modelos formulados, pelas bases teóricas. Ate mesmo, complexas simulações, ainda que amparadas em recursos científicos e tecnológicos disponíveis, nas ultimas décadas, podem apresentar distorções imperceptíveis. O que, chegou a colocar em xeque, as lógicas do planejamento econômico, principalmente, no longo prazo, a ponto de ser objeto de criticas contundentes. O Brasil viveu nas ultimas décadas, varias experiências de planejamento de longo prazo, dentre estas, Plano de Metas, PNDs sucessivos, e out...